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Crítica: “A Colega Perfeita” (Roommates)

Texto: Ygor Monroe
17 de abril de 2026
em Cinemas/Filmes, Netflix, Resenhas/Críticas, Streaming

Dividir um quarto na faculdade sempre parece um rito de passagem irresistível, quase como aquele primeiro mergulho em liberdade que vem acompanhado de promessas, inseguranças e encontros improváveis. “A Colega Perfeita” se apropria desse cenário familiar para construir uma narrativa que começa leve, quase despretensiosa, e aos poucos se contamina por um desconforto crescente que transforma convivência em disputa silenciosa.

Crítica: "A Colega Perfeita" (Roommates)
Crítica: “A Colega Perfeita” (Roommates)

A história acompanha Devon, uma caloura que ainda tenta entender seu lugar naquele novo universo, e Celeste, figura magnética que parece dominar o ambiente com facilidade. O convite para dividir o quarto surge como um gesto impulsivo, carregado de admiração e curiosidade. O que parecia o início de uma amizade intensa rapidamente se transforma em um campo minado emocional, onde limites deixam de existir e a convivência passa a revelar suas fissuras.

Existe um acerto imediato na construção dessa dinâmica. Sadie Sandler e Chloe East sustentam o filme com uma química que oscila entre fascínio e incômodo, capturando com precisão aquele tipo de relação que nasce intensa demais para ser saudável. É o tipo de conexão que mistura admiração, dependência e uma tensão quase inexplicável, algo que o filme entende bem e explora com certo atrevimento.

A direção de Chandler Levack aposta em um olhar contemporâneo, mergulhando em referências geracionais e diálogos que tentam refletir a vivência universitária atual. O design de produção e o figurino ajudam a criar um ambiente convincente, com espaços que parecem habitados de verdade, como se cada canto carregasse histórias anteriores. Esse cuidado estético aproxima o público da experiência e reforça a sensação de intimidade.

O humor aparece como uma ferramenta central, mas nem sempre encontra o timing ideal. Algumas piadas funcionam com naturalidade, principalmente aquelas ancoradas no absurdo das situações, enquanto outras parecem se perder antes de atingir impacto. Ainda assim, o filme encontra força em seu tom caótico. Existe uma energia desorganizada que, em vez de afastar, acaba se tornando parte do charme.

O roteiro, por outro lado, revela limitações mais evidentes. A construção dos personagens não se aprofunda como poderia, deixando motivações superficiais e decisões que surgem sem o devido peso dramático. Ao mesmo tempo, a escolha de assumir uma antagonista sem suavizações chama atenção. Celeste não busca redenção, não se esconde atrás de justificativas fáceis, e isso adiciona um elemento inesperado para o gênero.

Esse caminho mais ácido poderia ter sido ainda mais explorado. Em vários momentos, o filme sugere uma aproximação com o suspense psicológico, flertando com uma tensão que nunca se concretiza completamente. Fica a sensação de que havia espaço para um mergulho mais ousado, capaz de transformar a experiência em algo mais marcante.

Dentro desse contexto, “A Colega Perfeita” funciona como um retrato imperfeito, mas curioso, das relações intensas que marcam o início da vida adulta. A presença de Adam Sandler na produção também chama atenção, adicionando uma camada extra de discussão sobre bastidores e escolhas de elenco, ainda que isso não defina o resultado final. O filme se sustenta mais pela dinâmica entre suas protagonistas do que por sua estrutura narrativa.

“A Colega Perfeita”
Direção
: Chandler Levack
Elenco: Sadie Sandler, Chloe East, Sarah Sherman
Disponível em: Netflix

⭐⭐⭐

Avaliação: 2.5 de 5.

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Temas: Chloe EastCríticaResenhaReviewSadie SandlerSarah Sherman

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