Algumas histórias apostam na nostalgia como ponto de partida, confiando que o reencontro com o passado será suficiente para emocionar. “Acampamento com as Amigas” se apoia exatamente nessa ideia, reunindo três personagens que carregam décadas de amizade e memórias, mas que agora encaram o peso do tempo e das escolhas que não saíram como o esperado.

Ginny, Nora e Mary cresceram juntas, atravessaram verões inesquecíveis em acampamentos e construíram um vínculo que sobreviveu à vida adulta. O reencontro, décadas depois, tenta resgatar essa conexão, colocando as três novamente no mesmo cenário que moldou suas juventudes. A proposta é clara e até promissora: revisitar o passado para entender o presente. O problema é o caminho até esse ponto.
Dirigido por Castille Landon, o longa parece perdido dentro da própria ideia. O ritmo arrastado transforma o que deveria ser uma jornada afetiva em algo cansativo, com longos trechos que não levam a lugar algum. A sensação é de um filme que demora demais para encontrar um propósito e, quando encontra, já não tem tempo para desenvolvê-lo.
O elenco chama atenção logo de cara. Diane Keaton, Kathy Bates e Alfre Woodard formam um trio que, no papel, carrega potência dramática e carisma de sobra. E, de fato, quando estão juntas em cena, surgem pequenos lampejos do que o filme poderia ter sido. Existe verdade na interação entre elas, existe química, existe história. Falta roteiro à altura.
A produção tenta se equilibrar entre comédia e drama, mas tropeça nos dois lados. As piadas raramente funcionam e muitas sequer chegam a se desenvolver completamente, enquanto os momentos emocionais carecem de construção. O resultado é um tom indefinido, que nunca encontra consistência e acaba esvaziando o impacto da narrativa.
Mesmo com um elenco recheado que ainda inclui Eugene Levy e Josh Peck, o filme pouco aproveita esses nomes. Personagens surgem e desaparecem sem deixar marca, como peças soltas em uma história que parece incompleta. É um desperdício evidente de talento, especialmente quando se considera o histórico desses artistas em projetos muito mais sólidos.
Visualmente, a produção também não encontra identidade. A fotografia plana reforça a sensação de artificialidade, como se tudo estivesse sendo conduzido no piloto automático. Em alguns momentos, surge a impressão de que o filme evita riscos, optando sempre pelo caminho mais seguro e previsível. Essa falta de ousadia compromete ainda mais uma proposta que já depende tanto do envolvimento emocional.
Existe, ainda assim, uma tentativa tardia de resgatar o impacto no ato final. Algumas trocas de diálogo entre as protagonistas conseguem tocar em temas como envelhecimento, frustração e reconexão. São instantes que mostram que havia potencial, mas chegam quando o desgaste já tomou conta da experiência.
“Acampamento com as Amigas” se posiciona como uma celebração da amizade ao longo do tempo, mas acaba funcionando como um retrato de oportunidades desperdiçadas. A ideia central permanece interessante, mas a execução não acompanha, deixando a sensação de um filme que poderia ter sido muito mais do que entrega.
“Acampamento com as Amigas”
Direção: Castille Landon
Elenco: Diane Keaton, Kathy Bates, Alfre Woodard, Eugene Levy, Dennis Haysbert, Josh Peck
Disponível em: Amazon Prime Video
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