Hollywood adora repetir fórmulas. E às vezes tenta disfarçar isso com ironia, trocadilhos ou alguma estética espertinha que promete reinventar um gênero inteiro em nome da comédia. “Bride Hard” é mais um desses produtos que surgem com a promessa de combinar ação e humor em uma embalagem que se diz original, mas que na prática esbarra em escolhas fáceis, piadas exaustas e um roteiro que se apoia em tudo, menos em coerência narrativa.
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Dirigido por Simon West, o mesmo que já entregou filmes como “Con Air” e “Lara Croft: Tomb Raider”, o projeto tenta fazer de Rebel Wilson uma heroína de ação improvável, inserida em um universo que mistura festa de casamento com sequestro armado. A comparação com “Die Hard” vem no título, no material promocional e em cada tentativa de fazer graça com a ideia de que agora quem salva o dia são as madrinhas. Mas o que poderia ser uma sátira divertida se afunda em um festival de inconsequência cênica e humor genérico.
A estrutura da narrativa parte de uma premissa que exige certo nível de suspensão de descrença, o que por si só não seria um problema. O cinema vive disso. O que compromete a experiência aqui é a completa ausência de tensão dramática. Estamos diante de uma situação extrema, um casamento sendo invadido por mercenários armados, e a resposta emocional dos personagens nunca vai além de piadas desanimadas e diálogos frouxos. Tudo soa descartável. Não há urgência, não há risco. Há, no máximo, um desfile de ganchos cômicos que parecem escritos para um especial de esquetes mal ensaiado.
Rebel Wilson tenta segurar a trama com seu humor corporal característico e uma persona que já se mostrou eficiente em outros contextos. Mas o cansaço de sua fórmula se impõe com força aqui. A personagem que deveria ser uma agente secreta imbatível jamais convence nesse papel, nem por construção de roteiro, nem por presença física. E isso fica ainda mais evidente em cenas de ação onde é impossível ignorar a desconexão entre a atriz e a coreografia. O resultado é um desequilíbrio tonal que compromete não só a proposta de comédia, mas também qualquer ilusão de aventura.
No centro do enredo existe ainda uma tentativa de drama relacional entre a madrinha protagonista e a noiva, que compartilham um passado de amizade interrompida. Seria o coração emocional do filme, se houvesse alguma química, alguma construção real entre as duas. Mas até esse vínculo parece surgir por conveniência do roteiro, e não por mérito narrativo. Quando o filme tenta arrancar alguma emoção, soa forçado. Quando tenta fazer rir, tropeça em piadas recicladas e situações absurdamente mal executadas.
“Bride Hard” se vende como uma comédia de ação empoderada, mas o que entrega é um projeto apressado, inconsistente e sem nenhuma identidade própria. O humor falha, a ação não empolga e a história sequer se sustenta como entretenimento passageiro. Em uma temporada cheia de lançamentos interessantes, escolher este aqui é como apostar no azar por vontade própria.
Há espaço para filmes que brinquem com clichês. O problema é quando o filme se torna o próprio clichê, sem a menor noção disso. E é exatamente o que acontece aqui. “Bride Hard” não erra por querer ser leve, mas por jamais entender o que fazer com essa leveza.
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