Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
Sem resultados
Ver todos os resultados

Crítica: “O Urso” (1ª temporada)

Texto: Ygor Monroe
23 de junho de 2025
em Disney+, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

É impressionante quando uma série se joga na beirada do caos com a confiança de quem sabe exatamente onde está pisando. “O Urso” faz isso. A primeira temporada é um daqueles raros casos em que tudo acontece rápido, tudo grita alto e ainda assim, cada detalhe tem precisão cirúrgica. O que parece um pandemônio culinário é, na verdade, uma orquestra desajustada que aprende a tocar junta enquanto o restaurante pega fogo, metafórica e literalmente.

Lista: 10 melhores músicas internacionais lançadas até agora em 2025

Crítica: "O Urso" (1ª temporada)
Crítica: “O Urso” (1ª temporada)

A tensão de “O Urso” não é só narrativa, é física. Os cortes de câmera, o ritmo de fala, a cozinha que nunca para, os personagens que não têm tempo de existir em paz. A série constrói um ambiente onde a ansiedade é ingrediente principal, e não acompanhamento. E isso é mérito direto da direção de Christopher Storer, que não só domina o roteiro como empurra cada episódio com uma câmera que parece querer fugir dos personagens, mas continua encarando porque precisa ver como aquilo tudo vai terminar.

Existe um ponto importante aqui: não há nenhum esforço para suavizar o impacto. “O Urso” trata cada turno de trabalho como uma guerra civil entre os velhos hábitos e a promessa de renovação. O restaurante é uma bomba-relógio e a equipe é o fio exposto. A montagem é agressiva, os diálogos atropelam o tempo natural das falas, e a urgência domina mesmo os momentos de silêncio. E esse excesso é intencional. É linguagem, não erro de dosagem.

Jeremy Allen White, no centro disso tudo, entrega um Carmy que carrega o trauma nos olhos, no jeito curvado de andar, na contenção emocional constante. Ele interpreta alguém que foi treinado para ser grande, mas que voltou para o pequeno e não sabe mais como caber nesse espaço. Carmy é genial, mas oprimido por memórias, culpa e expectativas alheias. Ele não quer salvar o restaurante do irmão. Ele quer salvar a si mesmo. E talvez nem saiba disso.

A série evita o sentimentalismo barato e troca a lição de moral por espasmos de humanidade crua. Tudo é difícil, desconfortável, até desagradável em alguns momentos. Mas tudo é verdadeiro. A convivência entre os personagens é calcada em atrito. Nada é gratuito: o desrespeito tem história, o choque de gerações tem justificativa, a desconfiança é construída episódio após episódio com uma honestidade brutal.

E por falar em dinâmica de elenco, aqui entra uma das maiores forças de “O Urso”: o texto é pensado como coreografia. Ninguém fala sozinho. Tudo é resposta, provocação ou tentativa desesperada de manter a ordem em meio ao barulho. Há uma inteligência rara na maneira como os conflitos explodem. Cada grito tem timing. Cada crise tem peso. E todos os personagens têm um papel específico nesse sistema de caos funcional.

Ayo Edebiri é um achado. Sua presença amplia o conflito, mas também traz uma contraposição interessante ao colapso emocional de Carmy. Ela representa a expectativa do novo, mas também o preço de tentar reformar estruturas que se recusam a mudar. A atuação dela é viva, precisa, e nunca escorrega no clichê da salvadora da pátria. Ela erra, sofre, insiste, e isso só torna tudo mais real.

Não dá para deixar passar a construção visual. A câmera está sempre perto demais, porque “O Urso” quer que você sinta a gordura estourando no rosto. O calor do fogão invade a tela. A claustrofobia é um recurso narrativo, não uma consequência estética. Não existe conforto na série. Nem deveria existir. A proposta é essa.

E ainda que a gastronomia esteja em primeiro plano, o que realmente está sendo cozinhado ali é um luto mal resolvido, uma herança emocional tóxica, uma busca quase masoquista por pertencimento. A comida é só a superfície, o aroma. O prato principal é o colapso coletivo, o trauma de grupo, a tentativa de transformar um restaurante falido em uma espécie de família funcional, mesmo que improvisada.

Sim, é uma série que fala de comida. Mas o verdadeiro tempero vem da fricção entre os personagens, da pressão que eles colocam uns nos outros e de como o sistema quebra cada um aos poucos. É um retrato de microcosmo urbano onde todo mundo está tentando sobreviver ao próprio passado, enquanto cozinha para os outros como se fosse sua última chance de redenção.

“O Urso” não entrega catarse fácil. Não se interessa em amarrar tudo com arcos conclusivos. Prefere a honestidade do inacabado, da cicatriz aberta. E justamente por isso, funciona com uma potência absurda. Cada episódio parece prestes a explodir. E mesmo quando termina, você sai cansado, mas incapaz de parar.

É televisão que dá trabalho. Que exige atenção. Que recusa a passividade do espectador. E isso, por si só, já seria digno de aplauso. Mas ela vai além: constrói uma temporada inaugural que entende o poder do detalhe, da tensão crescente, da arte de contar uma história sobre dor, legado e resistência em um ambiente onde o tempo nunca para e a margem de erro é zero.

“O Urso” é, sem dúvida, uma das séries mais instigantes da última década. E se você ainda não sentiu o coração acelerar com ela, talvez esteja assistindo do lugar errado.

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Compartilhe isso:

  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

Curtir isso:

Curtir Carregando...
Temas: CríticaResenhaReview

Conteúdo Relacionado

Cinemas/Filmes

Crítica: “Destruição Final 2” (Greenland 2: Migration)

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Dhurandhar”

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Netflix

Crítica: “Patinando no Amor” (Finding Her Edge) – primeira temporada

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Netflix

Crítica: “Bridgerton” – quarta temporada, parte 1

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Netflix

Show de retorno do BTS terá exibição global pela Netflix

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Stranger Things: Tales From '85 (L to R) Braxton Quinney as Dustin, Benjamin Plessala as Will, Brooklyn Davey Norstedt as Eleven and Luca Diaz as Mike in Stranger Things: Tales From '85. Cr. COURTESY OF NETFLIX © 2026
Animação

Nova série animada de “Stranger Things” chega à Netflix em abril

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026
Música

Spotify abre votação de hit do verão com Anitta e Léo Santana

Texto: Ygor Monroe
3 de fevereiro de 2026

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

%d