Há uma vitalidade inesperada e quase desafiadora em “Circling from Above”, novo álbum de estúdio do Styx. Depois de mais de cinco décadas de estrada, com mudanças de formação, longos hiatos e o risco constante de cair na zona de conforto nostálgica, a banda norte-americana entrega aqui um trabalho robusto, ambicioso e surpreendentemente alinhado com o presente. O disco mostra que o Styx não está interessado em ser uma caricatura de si mesmo. Ao contrário, quer ampliar sua própria linguagem sem esquecer das raízes que o consolidaram como um dos nomes mais emblemáticos do rock progressivo e radiofônico.
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“Circling from Above” carrega uma produção grandiosa e detalhada, que mantém viva a assinatura sonora da banda, mas sem cair em fórmulas recicladas. O álbum aposta na fusão entre elementos clássicos e um frescor técnico que revela o fôlego criativo dos músicos envolvidos. Há uma estética muito bem cuidada, tanto nos arranjos quanto na execução, que faz com que o projeto soe atual mesmo sem abrir mão das harmonias vocais complexas, dos climas épicos e do virtuosismo instrumental que definem a identidade do grupo desde os anos 70.
O disco é conduzido com precisão cirúrgica, sustentado por uma proposta conceitual que articula temas como o avanço tecnológico, a ambição humana e a fragilidade da natureza diante da modernidade. Mas não se trata de um álbum didático ou panfletário. Ele se desenrola com fluidez, alternando momentos de introspecção e energia com um controle narrativo que evidencia maturidade. É como se a banda tivesse plena consciência do seu legado, mas recusasse a tentação de se apegar a ele.
A entrada de novos integrantes como Terry Gowan e Will Evankovich, agora como membros oficiais, contribui para a renovação dessa dinâmica interna sem comprometer a unidade estética. Ao invés de tentar soar jovem ou atual a qualquer custo, o Styx aposta no refinamento. A produção valoriza as nuances, os contrastes de timbre, os silêncios bem colocados, construindo uma experiência auditiva que exige atenção e entrega do ouvinte. É um álbum que não tem pressa, mas também não se perde em digressões.
A maior virtude de “Circling from Above” está em seu equilíbrio. É um disco que respeita o passado, mas não se submete a ele. Há uma reverência evidente à tradição do rock sinfônico, mas sempre com um olhar crítico sobre o presente. Tudo soa pensado, medido, executado com uma combinação rara de técnica, convicção e sensibilidade. E isso não é pouca coisa quando se trata de uma banda que poderia, com todo direito, viver apenas dos sucessos antigos.
No fim, o Styx faz aqui um gesto raro na indústria: o de continuar relevante por mérito artístico. “Circling from Above” é mais do que um novo álbum de estúdio. É uma afirmação. De identidade, de persistência e, acima de tudo, de potência criativa. Um trabalho que, longe de ser uma despedida, reafirma que a banda ainda tem muito a dizer. E segue dizendo com clareza, elegância e convicção.
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