Poucos artistas da geração que saiu de One Direction carregam uma assinatura vocal tão reconhecível quanto Zayn. Ao longo da carreira solo, construída com base em atmosferas densas e um R&B que flerta com o intimismo, sempre ficou a sensação de que ainda existia um território mais ousado a ser explorado. Esse novo capítulo surge cercado de expectativa justamente por prometer ruptura, mas encontra dificuldade em sustentar a própria ambição.

“Konnakol” chega com um conceito que, no papel, parece fascinante. A referência à tradição da música carnática indiana carrega peso cultural e sugere uma experiência sonora mais inventiva. A ideia de transformar ritmo vocal em linguagem pop contemporânea abre possibilidades enormes, mas o álbum raramente se compromete com essa proposta até o fim.
“Nusrat” inaugura o disco como um acerto imediato. A influência de Nusrat Fateh Ali Khan aparece como guia espiritual e sonoro, criando um início que instiga e aponta para algo maior. Existe densidade, intenção e uma atmosfera que prende o ouvinte logo de cara. A partir desse ponto, a expectativa cresce na mesma velocidade em que começa a se dissipar.
Quando “Sideways” entra em cena, o álbum muda de direção. O que surge é um Zayn confortável em sua zona mais conhecida, com um R&B elegante, radiofônico e tecnicamente impecável. Funciona, sem dúvida. “Used to the Blues”, “5th Element” e “Side Effects” seguem essa linha com competência, reforçando o domínio vocal que sempre foi seu diferencial. São faixas que agradam com facilidade, mas que não dialogam com a promessa estética construída no início.
Essa desconexão se torna o principal problema do disco. A ideia central perde força conforme a tracklist avança, dando lugar a uma sequência de músicas que, embora bem produzidas, parecem pertencer a outro projeto. O álbum começa sugerindo transformação e termina abraçando a familiaridade.
Existe também uma irregularidade difícil de ignorar. A primeira metade ainda mantém certo interesse, mas a reta final se dilui em composições que se confundem umas com as outras, sem დატensão ou identidade marcante. Canções como “Blooming” seguem por um caminho previsível, contribuindo para uma sensação de repetição que enfraquece o impacto geral.
A produção, assinada com a participação de Malay, mantém um padrão elevado. Tudo soa limpo, bem estruturado e tecnicamente sólido. O problema nunca está na execução, mas na falta de risco real dentro da proposta que o próprio álbum sugere.
Visualmente, a escolha estética também não ajuda a consolidar essa nova fase. A capa, que deveria reforçar o conceito, acaba criando um ruído que distancia ainda mais o projeto de qualquer leitura mais sofisticada. Em vez de complementar a narrativa, enfraquece sua identidade.
“Konnakol” deixa uma impressão curiosa. Individualmente, várias faixas funcionam e merecem destaque em playlists. Como obra completa, falta coesão, falta propósito contínuo. O talento de Zayn segue evidente, mas o direcionamento artístico parece disperso, como se várias ideias interessantes disputassem espaço sem nunca se encaixar de verdade.
Dentro de uma discografia que já entregou momentos mais consistentes, este trabalho se posiciona como um capítulo irregular. Existe potencial, existem acertos pontuais, mas a sensação predominante é de um projeto que começa mirando o novo e termina preso ao confortável.
Nota final: 55/100
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