O cinema brasileiro voltou a ganhar espaço entre os destaques do Festival de Cannes. O curta-metragem “Laser-Gato”, dirigido pelo cineasta paulistano Lucas Acher, venceu a edição de 2026 da La Cinef, mostra competitiva dedicada a novos realizadores vinculados a escolas de cinema.

A premiação coloca o diretor brasileiro entre os nomes emergentes observados pelo circuito internacional e reforça a presença do Brasil em um dos eventos mais importantes da indústria cinematográfica mundial. Aos 30 anos, Lucas Acher foi o único representante brasileiro selecionado na categoria neste ano.
Voltada à descoberta de novos talentos, a La Cinef é considerada uma das principais vitrines para cineastas em início de trajetória. A mostra costuma reunir produções de escolas de cinema de diferentes países e, historicamente, funciona como ponto de partida para diretores que posteriormente ganham projeção no cenário do cinema autoral contemporâneo.
Ambientado em São Paulo, “Laser-Gato” acompanha um adolescente que atravessa a cidade durante uma madrugada marcada pelo caos após uma brincadeira aparentemente simples sair do controle. A narrativa aposta em uma construção fragmentada e sensorial, utilizando a paisagem urbana da capital paulista como elemento central da experiência do protagonista.
Ao longo do curta, ruas vazias, luzes artificiais e a sonoridade característica da madrugada ajudam a compor uma atmosfera inquieta, transformando a cidade em parte essencial da narrativa. Segundo o diretor, a proposta surgiu também do desejo de destacar a potência cinematográfica de São Paulo.
Em comunicado oficial divulgado após a seleção do filme para o festival, Lucas Acher destacou o caráter pessoal do projeto e a dimensão simbólica de apresentar uma obra tão ligada à capital paulista em Cannes. Para ele, a presença do filme no evento representa a concretização de um objetivo que parecia distante e quase abstrato.
Produzido pela Bruto Films, o curta foi desenvolvido a partir de uma proposta estética minimalista, em que restrições orçamentárias foram incorporadas ao processo criativo. A direção aposta em momentos prolongados de observação e pequenos deslocamentos narrativos para construir um retrato urbano atravessado por tensão, humor e estranhamento.
O elenco reúne Gabriel Brennecke e Gilda Nomacce, nomes que ajudam a sustentar a atmosfera intimista e ao mesmo tempo imprevisível da produção.
Ao comentar a relação entre a história e a cidade, o cineasta destacou a intensidade e as contradições de São Paulo, ressaltando o interesse em mostrar ao público internacional que diferentes tipos de histórias podem nascer e se desenvolver no contexto da metrópole brasileira.
A vitória de “Laser-Gato” amplia a visibilidade do cinema brasileiro em festivais internacionais e consolida Lucas Acher como um dos jovens nomes a serem acompanhados nos próximos anos.






