Em livro de memórias, Kamala Harris, refaz trajetória até o Senado, aborda racismo e compartilha valores que formaram suas convicções

Kamala Harris tem a sua trajetória na política marcada por grandes e pioneiras conquistas. Em novembro de 2016, ela foi a primeira mulher negra da Califórnia, e a segunda na história do país, a ser eleita senadora dos Estados Unidos, pelo Partido Democrata, com nada menos de 39 milhões de votos — aproximadamente um a cada oito americanos votou nela. Em janeiro de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, Kamala se tornou também a primeira mulher negra a chegar à vice-presidência em um país cuja história é marcada pela segregação racial e que, até o dia anterior, era governado por um presidente alinhado à extrema direita conservadora.

A trajetória de Kamala Harris até o Senado dos Estados Unidos é o mote de seu livro de memórias políticas, As verdades que nos movem, que chega às livrarias brasileiras em julho de 2021 pela Instrínseca. Nele, a autora aborda a rotina da família em Oakland, onde cresceu, o convívio com os pais imigrantes — um importante economista jamaicano e uma indiana, já falecida, que se dedicou à pesquisa do câncer, e até um encontro às escuras com Douglas Emhoff, que acabou se tornando seu marido. Kamala também discorre por sua vasta experiência no campo do Direito: foi promotora em São Francisco, mais tarde eleita promotora-geral do estado da Califórnia, período em que se destacou pela atuação firme durante a chamada crise das hipotecas, quando enfrentou os grandes bancos e ganhou um acordo histórico para as famílias trabalhadoras do estado.

Mas o foco está mesmo na construção de sua visão de mundo e das suas convicções. Sua marca registrada foi a aplicação de uma abordagem holística, baseada em dados, a muitas questões espinhosas na sociedade norte-americana, sempre evitando o discurso do combate ao crime de forma implacável, o qual leva a um caminho de falsas escolhas. Nem “implacável”, nem “extremamente flexível”, mas inteligente ao lidar com o crime se tornou seu mantra. E, claro, Kamala não foge das questões cruciais da política norte-americana, ao discutir a história dos Estados Unidos como uma nação de imigrantes ― e, curiosamente, uma nação que hoje teme os imigrantes. Em seu livro, também destaca injustiças gritantes ― por exemplo, que atualmente bebês negros têm duas vezes mais chances de morrer na infância do que bebês brancos, uma disparidade maior do que em 1850, quando a escravidão ainda era legal.

Ao reconhecer os grandes desafios que enfrentamos juntos, valendo-se da sabedoria e da percepção duramente conquistadas em sua carreira e inspirando-se no trabalho daqueles que mais a influenciaram, Kamala Harris oferece em As verdades que nos movem uma aula de gestão de crises e de liderança em tempos desafiadores. Ao contar sua história, ela narra sua visão de luta, seu propósito e seus valores compartilhados.

%d blogueiros gostam disto: