Velson D’Souza não teve tempo para descanso nos últimos meses. Enquanto ensaiava para dar vida a Tommy DeVito em “Jersey Boys”, o ator também gravava a série “Paulo, o Apóstolo“, da Record, interpretando Tito. Hoje, a produção já finalizou as filmagens — estreou primeiro no streaming e agora está em exibição na TV aberta —, enquanto ele segue nos palcos, em cartaz com o musical.

O desafio de conciliar dois universos
O ator relembra a rotina intensa de alternar teatro e televisão.
“Eu acho que pra mim o maior choque foi o de cidade mesmo hahaha pois eu ensaiava em São Paulo, e geralmente num frio intenso, e gravava no Rio de Janeiro num calor intenso. Brincadeiras à parte, eu acho que uma das coisas que consegui fazer foi virar a chave rápido. Assim que eu pisava no Rio de Janeiro, meu foco era totalmente Paulo, o Apóstolo e o personagem Tito. Eu evitava olhar material do musical antes de gravar. Mas quando terminava de gravar e já seguia para São Paulo, eu virava a chave e voltava a estudar o material do musical.”
Um sonho que continua atual
Sobre a força atemporal de Jersey Boys, que narra a trajetória dos integrantes do grupo The Four Seasons, Velson destaca que a história se mantém viva por falar sobre superação e união.
“É a história da busca por um sonho, de sair do nada e construir uma carreira de sucesso. Todos esses personagens vieram de realidades difíceis, tiveram que superar muitos obstáculos pelo amor à música, e o quanto a música os uniu como uma família. Eu acho que isso é extremamente atual e dialoga com a sociedade contemporânea. Acredito que os jovens vão se identificar bastante com os temas abordados.”
Ele também ressalta a energia do espetáculo: “Acho também que é uma história com uma riqueza muito grande de detalhes e reviravoltas, o que torna o espetáculo muito dinâmico, sem contar que as músicas e os arranjos musicais são muito envolventes.”
Drama e vibração em medidas diferentes
Para Velson, os desafios da televisão e do teatro se complementam.
“Eu acho que são desafios muito diferentes. Em Paulo, a linguagem e a época exigem uma concentração e um estudo aprofundado para conseguir dar vida e humanizar esses personagens, para que o público não se distancie da história. […] Já em Jersey Boys, ensaiamos em 5 semanas um espetáculo com duas horas e meia de duração. Com muitas músicas, coreografia e muito texto. O desafio tem sido diferente, mas gigante. Exige também muita concentração pra contar essa história 5 vezes por semana com a mesma energia. É um tipo de espetáculo que nada pode sair dos trilhos, pois um pequeno deslize pode virar uma bola de neve.”
Construção sobre figuras reais
A experiência prévia de interpretar Silvio Santos no teatro também trouxe aprendizado para a composição de Tommy DeVito.
“No Brasil, as pessoas não conhecem o Tommy tão bem, então não havia necessidade de buscar uma mímese. O que é muito interessante de interpretar personagens inspirados em pessoas reais é o fato de termos muito material como referência que me ajudou muito a justificar comportamentos e compreender como determinado personagem age de acordo com cada situação. Com Tommy, houve uma preocupação minha em trazer pra fisicalidade do personagem a sua origem ítalo-americana, e toda sua personalidade impulsiva, já que não cabia aqui fazer um sotaque típico, como o que ele tinha na vida.”
Planos para 2026
Mesmo em meio à rotina intensa, Velson já projeta novos trabalhos.
“Estou em pré-produção de dois projetos para o Teatro. O primeiro é Oleanna, texto do americano David Mamet. Devemos estrear no primeiro semestre com direção de Daniela Stirbulov. O segundo projeto é True West de Sam Shepard, que tem estreia prevista pro segundo semestre. Além disso, sigo em busca de patrocínio para conseguirmos produzir o musical sucesso da Broadway As Pontes de Madison, que terá direção de Gustavo Barchilon e produção do Thiago Hoffman.”
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