Vergonha, culpa, necessidade de performance, comparações e controle. Para a terapeuta tântrica Fernanda Zorzo, esses são alguns dos principais inimigos do prazer e não, eles não surgem na vida adulta. “A maioria de nós aprendeu a se desconectar do corpo muito cedo — fomos ensinados a nos comportar, a esconder o desejo, a não sentir demais. Isso cria uma couraça energética”, afirma. A mente acelerada e os traumas “pequenos ou grandes, conscientes ou não” completam a lista de obstáculos. “O corpo guarda tudo, e quando a gente começa a soltar, o prazer volta naturalmente. Não porque aprendeu uma técnica nova, mas porque desaprendeu a se defender o tempo todo.”

De volta ao Brasil para conduzir um novo retiro no Rio Grande do Sul, Fernanda quer ajudar mais pessoas a reconectarem corpo e mente em experiências profundas de autoconhecimento. “Os retiros unem pessoas de todos os cantos do Brasil. Além do que faremos em outubro, já temos fechado o Retiro Tântrico de 2026 no Mevlana Garden, de 25 a 27 de setembro. A ideia é seguir trazendo a essência do retiro: uma imersão profunda, sensorial e transformadora.”
A cultura da dopamina rápida e o antídoto tântrico
Para Fernanda, o Tantra surge como contraponto necessário à lógica do prazer imediato estimulada por pornografia e redes sociais. “O Tantra é o oposto da pressa. Ele não quer que você chegue mais rápido — quer que você chegue inteiro. A pornografia acelera, fragmenta e desconecta. É dopamina pura, sem consciência. O Tantra é serotonina, oxitocina, presença. É o corpo aprendendo a sentir de verdade”, explica.
A terapeuta, que participou por cinco anos do Comitê de Sexualidade da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, lembra que o uso problemático da pornografia e a disfunção erétil induzida por ela ainda são pouco explorados na ciência. Um dos casos que acompanhou ilustra bem o impacto do Tantra: “Um homem em tratamento de disfunção erétil buscou o Tantra por recomendação do psicólogo. Ele relatava ser impossível atingir ereção com a esposa, apesar de amá-la muito. Por anos praticou técnicas para prolongar a ereção sem olhar para a raiz do problema. O Tantra entrou justamente nesse ponto — na reconexão com o corpo como todo orgástico, no relaxamento e na presença, com práticas de conexão com a parceira.”
Energia masculina, feminina e a libertação dos papéis
A terapeuta também desmistifica outro conceito central do Tantra: a dualidade entre energia masculina e feminina. “O Tantra não fala de gênero — fala de polaridades, duas forças universais: Shiva e Shakti, consciência e energia. Todos temos ambas dentro de nós, independentemente de corpo, identidade ou orientação sexual”, explica.
Para ela, essa perspectiva é libertadora em um mundo que questiona papéis e identidades. “O problema é quando tentamos caber em papéis rígidos — isso sufoca e fica pesado para todos. O Tantra não quer que você seja ‘mais homem’ ou ‘mais mulher’; quer que você seja inteiro.” O equilíbrio dessas forças internas, afirma, também ajuda pessoas em transição de gênero. “O Tantra trabalha com a ideia de que todo corpo é orgástico — uma autorização plena ao prazer e ao autoamor.”
O que (não) acontece em um retiro tântrico
Ainda cercados de tabus, os retiros tântricos são frequentemente associados à nudez obrigatória e sexo em grupo. Fernanda é categórica ao negar: “Esse é um dos maiores mitos. O retiro é um espaço de cura, não de performance. Não existe sexo em grupo nem práticas invasivas.”
Segundo ela, a nudez pode até aparecer, mas nunca como regra. “Ela é simbólica, uma forma de despir camadas, não corpos. O corpo se convida a isso naturalmente, nunca por pressão.” O que de fato acontece são meditações, respirações, movimentos corporais, toque consciente, dinâmicas energéticas e rituais de conexão. “O Tantra é o oposto da libertinagem: é disciplina, ética e presença.”
Segurança, entrega e emoções que emergem
A criação de um ambiente seguro é prioridade. “Tudo começa antes do toque. Eu preparo o campo — energeticamente e emocionalmente. Deixo claro que ninguém precisa fazer nada. Explico limites, acolho medos e trago o grupo para o corpo com práticas de aterramento e respiração”, diz.
Esse clima de confiança abre espaço para que emoções profundas venham à tona. “Quando a energia volta a circular, empurra tudo o que estava estagnado: traumas, memórias, emoções congeladas. O choro, o tremor, a risada — tudo isso são válvulas de liberação”, afirma. Impulsos de gritos ou movimentos involuntários também são comuns. “Sempre bom reforçar que não usamos nenhuma substância psicodélica. Muitas pessoas se impressionam com os resultados que podemos alcançar apenas com movimento, som e respiração.”
A alimentação também tem papel fundamental nesse processo. “Prazer é energia — e alimentação também é. Se o corpo está pesado, inflamado, cheio de toxinas, a energia sexual não flui”, diz. No retiro, a alimentação ayurvédica é parte da experiência de limpeza e reconexão. “Comer de forma consciente é um ato tântrico: é escolher o que te nutre, não o que te anestesia. A digestão e o desejo nascem do mesmo fogo: o fogo da vida.”
Retorno ao Brasil e o convite à presença
Depois de anos conduzindo imersões no exterior, Fernanda celebra o retorno ao país e a oportunidade de expandir seu trabalho. “Fiquei muito feliz com o convite da agência Vento Oriente para levar meu trabalho de volta ao Brasil — eu estava com saudades. Muitos querem saber se é similar ao que ofereço aqui nos EUA, e posso garantir que é ainda mais intenso e profundo — o brasileiro é muito receptivo e passional.”
Sem pressa, como ensina o Tantra, a terapeuta quer seguir construindo essa expansão com tempo e maturidade. “Cada expansão acontece no seu tempo, quando a energia está madura para sustentar o novo. Vou sempre fazer o possível para aceitar convites como este no Brasil.”
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