Em “Meus 84 m²”, tudo começa com a promessa de paz. Um novo lar, um recomeço e, claro, aquele sonho sul-coreano de finalmente ter seu cantinho no meio do caos urbano. Mas bastam algumas noites para Woo-seong perceber que o inferno não está nas ruas de Seul, está no teto. Barulhos insistentes, vizinhos hostis, tensão que escala até onde o concreto permite. A pergunta é inevitável: quem está fazendo tanto barulho?
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A resposta parece vir com o vizinho Jin-ho. Um jornalista amargurado, sedento por manchetes, que transforma seu apartamento em uma espécie de estúdio de tortura sonora. Com celulares, cabos, estruturas demolidas e uma obsessão quase doentia, ele orquestra ruídos para enlouquecer Woo-seong. O objetivo é simples, ainda que grotesco: provar que os apartamentos foram mal construídos, expor os erros da construtora e transformar a dor alheia em manchete.
Só que nem tudo no filme se resume ao truque de Jin-ho. O barulho existia antes. E persiste depois. Porque, no fundo, o que ressoa pelos 84 metros quadrados de Woo-seong é muito maior do que um plano de vingança midiática.
A reviravolta mais incômoda acontece no clímax. Quando a síndica do prédio, Eun-hwa, assume que recebeu propinas para fechar contrato com empresas de construção de baixa qualidade, toda a estrutura da narrativa treme junto com as paredes finíssimas do edifício. Woo-seong encontra documentos que comprovam o esquema. Contratos fraudulentos, favorecimentos milionários, sujeira de alto padrão escondida sob os azulejos novinhos em folha.
E o que ele faz com isso? Queima tudo.
Em vez de denunciar o esquema, Woo-seong opta por salvar o próprio sossego. Ele quer a chave do apartamento de volta, ainda que isso custe a verdade. A escolha é brutal, irônica e profundamente humana. Ele passou o filme inteiro lutando contra a loucura, contra a injustiça, contra o barulho. E termina aceitando que talvez nada disso vá embora. Nem com provas. Nem com justiça. Nem com silêncio.
“Meus 84 m²” encerra deixando ecoar um incômodo ainda maior do que os ruídos noturnos: a corrupção não está só nas grandes corporações, mas também nas pequenas escolhas individuais. Woo-seong venceu a batalha por seu lar, mas perdeu qualquer esperança de paz dentro dele.
Com direção de Kim Tae-joon, também responsável por “Na Palma da Mão”, o filme está disponível na Netflix.
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