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Crítica: “Exhuma” (파묘)

Texto: Ygor Monroe
26 de setembro de 2024
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Entre tumbas ancestrais e sombras do além, o terror encontra sua morada. Em “Exhuma“, a diretoria de Jang Jae-hyun nos conduz por um caminho que mistura o misticismo coreano e o desespero familiar ocidental, como um conto sombrio que transcende fronteiras. O filme, que será exibido no Koff – Korean Film Festival, explora o poder devastador do passado e as consequências de desenterrar segredos que deveriam permanecer enterrados.

Crítica: “Exhuma” (파묘)
Crítica: “Exhuma” (파묘) | Foto: Reprodução

Se você pensa que o terror está apenas nos sustos, “Exhuma” revela que a verdadeira ameaça se esconde nas maldições antigas que jamais deveriam ver a luz do dia. A trama acompanha uma família rica de Los Angeles que, após vivenciar eventos paranormais inexplicáveis, recorre a uma jovem dupla de xamãs, Hwa Rim e Bong Gil, para salvar o herdeiro recém-nascido. Mas o problema, ao que parece, não está nas paredes de sua mansão – ele reside muito mais profundo, enterrado nas raízes de uma vila remota na Coreia.

Ao lado de um geomante e um agente funerário, o grupo realiza uma exumação amaldiçoada. O que eles não sabem é que, ao tocar no passado, libertam algo inominável. Um dos maiores acertos do filme é como ele conduz o espectador em um crescendo de suspense, uma lenta dança macabra entre o misticismo e o sobrenatural.

Jang Jae-hyun prova ser um mestre na direção, segurando a tensão como um especialista em feitiços. A ambientação é incrivelmente atmosférica, com uma cinematografia de tirar o fôlego que transforma paisagens bucólicas e funerárias em verdadeiras cenas de horror. Você se sente preso na tela, e a sensação de perigo é palpável em cada canto.

O elenco, liderado pelo lendário Choi Min-sik, é outro ponto alto. Cada um entrega uma performance afiada, especialmente Kim Go-eun e Yoo Hai-jin, que trazem profundidade emocional ao embate com o desconhecido. O que poderia ser um simples filme de assombração ganha peso e complexidade graças à atuação envolvente e à química entre os personagens.

Mas nem tudo é perfeito. O terceiro ato perde um pouco do fôlego, e alguns pontos do enredo acabam sendo subdesenvolvidos, deixando o espectador com a sensação de que certos mistérios poderiam ter sido melhor explicados. Ainda assim, esses deslizes não tiram o mérito do filme, que mantém um clima de tensão psicológica bem equilibrado.

O design de som também merece destaque, complementando os visuais inquietantes com uma trilha sonora que arrepia até os ossos, composta por Kim Tae-seong. As batidas rítmicas e os momentos de silêncio são bem calculados, aumentando ainda mais a imersão no terror sobrenatural.

“Exhuma” não redefine o gênero, mas cumpre seu papel ao entregar um filme de terror sobrenatural eficiente e visualmente impactante. Mesmo com seus altos e baixos narrativos, é uma experiência que deixará muitos espectadores inquietos por noites a fio.

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

Confira também: Joaquin Phoenix rouba a cena e apaga Lady Gaga no confuso “Coringa: Delírio a Dois”

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Temas: CríticaExhumaKoff - Korean Film FestivalResenhaReview

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