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Crítica: “O Homem das Castanhas” (The Chestnut Man: Hide and Seek) – segunda temporada

Texto: Ygor Monroe
10 de maio de 2026
em Netflix, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

Algumas séries chegam como um sussurro sombrio. Outras preferem bater à porta com violência, deixando marcas antes mesmo de revelar seu verdadeiro rosto. “O Homem das Castanhas” escolhe o segundo caminho, mergulhando o espectador em uma atmosfera de tensão sufocante que transforma cada silêncio em ameaça e cada lembrança infantil em algo profundamente perturbador. A nova temporada da produção dinamarquesa da Netflix retoma o universo criado por Søren Sveistrup com a mesma habilidade cirúrgica de manipular desconforto, agora trocando parte da iconografia que tornou sua primeira leva tão memorável por uma nova obsessão igualmente inquietante: o jogo da perseguição.

Crítica: "O Homem das Castanhas" (The Chestnut Man: Hide and Seek) - segunda temporada
Crítica: “O Homem das Castanhas” (The Chestnut Man: Hide and Seek) – segunda temporada

Logo nos primeiros minutos, a narrativa conduz o público para um passado distante, em 1992, em uma cena que funciona como prenúncio e manifesto. Um grupo de crianças em meio à natureza, uma explicação sobre filhotes de cuco expulsando ovos rivais do ninho para garantir sua própria sobrevivência, uma brincadeira inocente de esconde-esconde que termina na descoberta de um corpo organizado como se fizesse parte de uma instalação macabra. A imagem é poderosa porque comunica o que a temporada pretende discutir sem precisar verbalizar: sobrevivência, substituição e a brutalidade silenciosa que pode existir sob estruturas aparentemente frágeis.

Quando a trama retorna à Copenhague, o terror ganha forma digital. Zara Solak começa a receber vídeos que comprovam estar sendo observada. Cada mensagem vem acompanhada de uma cantiga infantil de contagem, como se a ameaça seguisse um ritual cuidadosamente elaborado. O momento em que surge o aviso “te encontrei” antecedendo seu desaparecimento sintetiza perfeitamente o espírito da série. O medo aqui não depende de sustos repentinos, mas da construção lenta de uma sensação de invasão absoluta.

Naia Thulin volta ao centro da investigação com a mesma postura austera que a tornou uma das protagonistas mais interessantes do thriller policial europeu recente. Interpretada por Danica Curcic com precisão admirável, a personagem equilibra o peso da profissão com a tentativa de manter intacta a relação com a filha adolescente, Le. Essa dualidade fortalece a personagem porque impede que ela se transforme em apenas mais uma investigadora traumatizada. Naia é eficiente, racional e determinada, mas carrega rachaduras emocionais que tornam cada decisão mais humana.

O retorno de Mark Hess amplia ainda mais esse jogo emocional. O vínculo mal resolvido entre os dois personagens injeta uma camada dramática que evita que a temporada se torne apenas uma sequência procedural de pistas e cadáveres. O reencontro carrega desconforto, ressentimento e uma intimidade interrompida que nunca foi devidamente encerrada. Enquanto o caso avança, Hess também precisa lidar com questões familiares delicadas, trazendo para a narrativa uma dimensão de culpa e reparação que dialoga diretamente com o mistério principal.

Esse é justamente um dos grandes méritos de “O Homem das Castanhas”: entender que o horror psicológico se fortalece quando atravessa também a vida pessoal de seus personagens. Cada trauma individual parece ecoar dentro da investigação, como se todos estivessem presos em seus próprios esconderijos emocionais.

Visualmente, a série mantém a identidade escandinava que transformou o chamado nordic noir em referência mundial. Tons frios, paisagens silenciosas e interiores quase assépticos criam um contraste inquietante com a brutalidade dos crimes. Tudo parece excessivamente organizado, excessivamente limpo, como se o caos estivesse sempre escondido sob uma camada de controle social. Essa estética amplifica a sensação de que qualquer lar pode esconder uma ameaça, qualquer janela pode esconder um observador.

A nova investigação talvez abandone temporariamente a força simbólica das castanhas que batizavam a obra original, mas encontra substituto à altura na simbologia dos ninhos e da infância corrompida. Cantigas infantis costumam carregar conforto, memória e afeto. Aqui, tornam-se instrumentos de terror. Jogos infantis costumam representar liberdade. Aqui, se transformam em mecanismo de caça. A série entende perfeitamente que poucas coisas são tão assustadoras quanto a contaminação da inocência.

Também merece destaque a presença de Sofie Gråbøl como Marie Holst, personagem que carrega o luto permanente pela filha assassinada. Sua dor atravessa cada cena com uma intensidade silenciosa e promete ser peça central para conectar passado e presente. Em uma narrativa construída sobre segredos enterrados, sua presença funciona como lembrete de que certos crimes nunca deixam de acontecer para quem ficou.

Mesmo quando algumas cenas parecem prolongar mais do que deveriam determinadas tensões, a temporada mantém o espectador preso pela inquietação constante. Cada descoberta oferece mais perguntas do que respostas, e isso funciona a favor da experiência. Assistir a “O Homem das Castanhas” significa aceitar entrar em um labirinto onde cada pista pode ser uma armadilha e cada resposta pode esconder algo ainda mais perturbador.

Mais do que um simples retorno, esta segunda temporada reafirma a força da produção como uma das experiências mais densas e elegantes do suspense televisivo recente. Não se trata apenas de descobrir quem está por trás dos crimes, mas de compreender como o medo pode se infiltrar em rotinas comuns, destruir vínculos e transformar memórias de infância em pesadelos persistentes.

“O Homem das Castanhas”
Direção:
Milad Alami, Roni Ezra
Elenco: Danica Curcic, Katinka Lærke Petersen, Mikkel Boe Følsgaard, Sofie Gråbøl
Disponível em: Netflix

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

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Temas: CríticaDanica CurcicKatinka Lærke PetersenMikkel Boe FølsgaardResenhaReviewSofie Gråbøl

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