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Crítica: “Eclipse”

Texto: Ygor Monroe
10 de maio de 2026
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Certas feridas permanecem invisíveis até que algum movimento externo altere completamente a maneira como se enxerga o próprio passado. Como um fenômeno celeste que só se revela plenamente em alinhamento raro, alguns traumas aguardam o instante exato para emergir. “Eclipse” trabalha justamente nesse território delicado onde memória, silêncio e violência coexistem sob uma superfície aparentemente estável, transformando uma crise íntima em um mergulho profundo sobre herança emocional, ancestralidade e sobrevivência.

Crítica: "Eclipse"
Crítica: “Eclipse”

No centro dessa travessia está Cleo, uma astrônoma emocionalmente exausta, grávida e atravessada por uma sensação constante de deslocamento. Sua rotina sofre uma ruptura quando a chegada inesperada de sua meia irmã indígena desencadeia um processo de reconexão com fragmentos esquecidos de sua própria história. O encontro entre as duas abre espaço para uma investigação que se desenvolve tanto no presente quanto nas camadas enterradas da memória, revelando segredos que desafiam a estabilidade construída por ambas.

Djin Sganzerla conduz essa narrativa com firmeza e sensibilidade, demonstrando uma ambição clara de fazer com que “Eclipse” ultrapasse a tela. Mais do que contar uma história, o filme deseja provocar permanência. Deseja permanecer no pensamento, no desconforto e nas perguntas que deixa suspensas.

A diretora constrói uma obra de espelhamentos constantes. Corpos, lembranças, silêncios e escolhas se refletem uns nos outros em uma arquitetura narrativa que aposta em paralelismos sutis. O próprio título funciona como síntese simbólica dessa proposta. Duas forças distintas, separadas por suas naturezas, aproximadas por circunstâncias inevitáveis.

A inspiração na lenda indígena que conecta sol e lua pelas garras da onça, guardiã das estrelas, oferece ao filme uma camada metafórica particularmente poderosa. Essa imagem ancestral se torna ponte para uma reflexão profundamente sobre a violência patriarcal e suas manifestações mais silenciosas. É justamente nesse ponto que “Eclipse” encontra sua maior força.

A masculinidade tóxica, frequentemente associada a gestos explosivos ou brutalidades explícitas, surge aqui mascarada pela aparência de normalidade. Dentro de um casamento aparentemente perfeito, pequenos detalhes revelam mecanismos sutis de controle, manipulação e apagamento emocional. O filme entende que certas formas de violência se escondem melhor justamente porque aprenderam a se apresentar como cuidado, proteção ou estabilidade. O horror em “Eclipse” não grita. Ele sussurra. E por isso mesmo perturba ainda mais.

Essa combinação entre drama psicológico, suspense e denúncia social demonstra um domínio admirável de linguagem. Djin Sganzerla parece confortável ao transitar entre gêneros, utilizando a tensão como ferramenta narrativa para aprofundar suas discussões sem sacrificar o envolvimento emocional.

Visualmente, o longa trabalha com uma atmosfera de inquietação permanente. Os espaços carregam um peso silencioso, como se cada ambiente guardasse memórias prestes a emergir. A fotografia contribui para essa sensação de suspensão, reforçando o estado emocional de Cleo e ampliando a sensação de fragilidade que atravessa toda a narrativa. Ainda assim, “Eclipse” apresenta pequenas oscilações em sua construção.

Alguns elementos parecem lançados com mais pressa do que o restante da trama comporta. Certas soluções narrativas, especialmente mecanismos mais funcionais de investigação, simplificam excessivamente conflitos que poderiam ganhar resolução mais orgânica. Em alguns momentos, surge a sensação de que o filme poderia confiar ainda mais em sua própria complexidade, resistindo à tentação de atalhos dramáticos. Essa leve irregularidade impede que todos os elementos alcancem unidade plena.

Mas o impacto permanece. E permanece justamente porque “Eclipse” compreende algo essencial. O cinema de gênero pode ser uma ferramenta poderosa para expor feridas sociais que muitas vezes se tornam difíceis de verbalizar de forma direta. Ao combinar simbolismo ancestral, suspense emocional e crítica social, o filme encontra um espaço raro dentro da produção brasileira. Poucos cineastas conseguem transformar denúncia em atmosfera com tamanha precisão.

Ao final, o que permanece não é apenas a tensão do enredo ou a força das revelações, mas a sensação de que certos vínculos, mesmo fragmentados pelo tempo ou pela dor, ainda podem se reconstruir sob nova luz. “Eclipse” talvez não alcance perfeição em todos os seus movimentos, mas acerta ao transformar trauma em linguagem cinematográfica viva, delicada e profundamente necessária.

“Eclipse”
Direção:
Djin Sganzerla
Roteiro: Djin Sganzerla, Vana Medeiros
Elenco: Djin Sganzerla, Sergio Guizé, Selma Egrei
Disponível em: Nos cinemas

⭐⭐⭐

Avaliação: 3 de 5.

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Temas: CríticaDjin SganzerlaResenhaReviewSelma EgreiSergio Guizé

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