Dilsinho libera projeto “Open House” e fala com o Caderno Pop sobre carreira, shows e situação durante pandemia

Dilsinho

Gravado em dezembro do ano passado em Recife (PE), o projeto “Open House”, do Dilsinho, foi um dos mais ambiciosos daquele ano. Nesta quinta-feira (6), ele libera nas plataformas digitais o single “Misturados” e o show completo, com 22 faixas. Na sexta (7) haverá a exibição do material completo no YouTube.

Ouça:

Desde março, os fãs começaram a sentir um gostinho do que vinha por aí, com o lançamento do primeiro single, “Deixa Pra Amanhã”. Depois, todas as semanas, uma faixa nova foi divulgada. O projeto contou com participações de Thiaguinho, Atitude 67, Marco e Henrique e Juliano.

“Open House” foi o primeiro trabalho em que Dilsinho esteve à frente de todo os detalhes, desde a concepção até o momento da gravação, passando por figurino, locação, repertório, arranjos, e todos os outros pontos importantes na criação de um projeto audiovisual.

No cenário, dois palcos foram montados e interligados entre si. O primeiro, “Quarto e Sala”, homônimo ao último álbum lançado pelo cantor, Dilsinho apresenta versões mais intimistas das músicas mais românticas de seu repertório, com instrumental de cordas e metais. Já no palco “Open House” foram gravadas as performances mais animadas, pulsantes, em clima de festa realmente. Ambos palcos são interativos e com presença de público, como se estivessem literalmente em casa.

Confira entrevista:

O projeto foi gravado em dezembro, mas está sendo lançado só agora. Estava no cronograma essa data ou a pandemia acabou atrasando o que estava planejado?
Na verdade a gente tinha feito um cronograma basicamente no que está agora. A data de lançamento da primeira música foi no dia 6 de março. Depois disso a gente tinha combinado de lançar essas músicas semanalmente e a gente tinha até junho e julho até lançar elas e depois, “ah, vamos lançar algumas e depois lançar tudo”. Claro que a gente não esperava e não sabia, não imaginava esse lance da pandemia, quarentena, esse momento que a gente está vivendo agora. A gente viu que seria incrível aquilo ali porque as pessoas estariam em casa todos os dias da semana e a gente estaria lançando música e conteúdo toda semana. Aquilo tinha sido planejado antes, então a gente se preparou, tinha combinado e foi rolando, e as pessoas foram consumindo aquilo ali. Eu cheguei a um determinado momento que as pessoas estavam ouvindo tanto que eu falei: “cara, vamos continuar lançando as que a gente tinha falado que lançaria de uma vez, né, vamos lançar até onde dá e depois a gente mostra na íntegra”. A gente guardou a música que a gente acredita de single pra lançar ela por último. Fizemos algumas reuniões, mudanças mínimas, mas graças a Deus o meu lano já era lançar semanalmente esse projeto, pra gente testar como termômetro e foi um golaço da minha equipe e do escritório.

Acabou saindo melhor que o esperado?
Na verdade foi um teste, eu nunca tinha lançado nada semanalmente. Então a gente falou, vamos lançar pra ver como vai ser e foi incrível.

E desse termômetro, qual foi a música que teve a recepção mais legal?
Tem uma hora ali que aconteceu justamente o que era um sonho pra gente que é artista. Que as pessoas não querem te ouvir por uma música, querem ouvir todo o álbum. A minha ideia de testar esses lançamentos semanais era justamente se as pessoas iam comprar a ideia de ouvir toda semana e conhecer uma nova música, então quando você faz isso, as pessoas não escolhem só uma músicas, escolhem várias. “Sogra” a gente lançou, a música subiu pra caramba, indo bem demais nas plataformas, vídeo bombando. “Deixa pra Amanhã” a gente tava trabalhando; “Restrito” é uma música romântica, que as pessoas veem acho que um pouco mais das coisas que eu fazia como “Refém”, “Péssimo Negócio”, “Moletom” é uma música que tem uma história muito forte, daquele lado sofrido meu que as pessoas gostam. “Apaixonadinho”, que tem a participação do Thiaguinho, que acho que as pessoas sentem um pouco mais da minha leveza. Não tem como falar de uma música, as pessoas curtiram o projeto e estão semanalmente com a gente no mesmo clima.

E são 22 músicas, tem música pra trabalhar até ano que vem, até o próximo DVD.
Cara, a ideia é a gente trabalhar mais uma de duas músicas. A gente sai com o single junto com o DVD, que é o “Misturados”, música que eu particularmente acredito demais como single desse projeto. E aí seja o que Deus quiser. O que a gente aprendeu é não adianta panejar demais, algumas coisas simplesmente acontecem, então estou muito feliz, na medida do possível, eu consegui lançar um projeto num momento tão atribulado pra todo mundo, num momento que tá todo mundo mexido, eu consegui levar um pouco de conforto pras pessoas dentro de casa, fiquei muito feliz com isso.

O mercado como um todo foi muito afetado com a pandemia. Artistas mais consolidados, como você, não tenham sofrido tanto impacto como artistas menores. Como você tem avaliado e lidado com o escritório, suas lives, falta de shows, questão econômica… precisou abrir mão de alguma coisa, mesmo tendo o lançamento programado, isso te atrapalhou?
O que tá acontecendo a gente não planejou de forma alguma. O fato de eu ter crescido artisticamente foi uma injeção de ânimo, mas falando financeiramente, no geral, uma coisa que eu busquei dentro do meu escritório era que a gente desse prioridade pras pessoas que estão aqui dentro, trabalham aqui, as pessoas que realmente dependem disso pra viver, como eu dependo disso pra viver. O que a gente tem que fazer é dar suporte pra todo mundo que tá aqui dentro, pras pessoas que fazem minha carreira acontecer, então, independentemente do que acontecer, vai acontecer pra todo mundo. Isso foi uma coisa que a gente deixou bem claro dentro da empresa no geral. De cara, na pandemia, confortei as pessoas que trabalham comigo. Não sei quando a gente vai voltar efetivamente a fazer shows e aquela rotina de trabalho que a gente tinha, mas a gente não vai abandonar ninguém e vai dar as mãos nesse momento, que acho que é o que precisa. Falando financeiramente, esse pode não ser um ano positivo em relação a lucro, mas eu tive um crescimento no digital muito grande, a gente fez algumas lives e tá voltando a trabalhar aos poucos, fazenfo algumas ações de marketing, algumas coisas que dão um pouco mais de conforto financeiramente falando, mas é claro que em relação à minha projeção, os meus números hoje, claro que era pra gente tá usufruindo muito mais, mas não posso reclamar assim, diante de tanta coisa pior que tá acontecendo. Então, uma coisa que eu me conforto em relação a isso é que quando voltar, eu tenho certeza que eu vou voltar a trabalhar e as pessoas que estão comigo vão voltar a trabalhar de cabeça tranquola sabendo que a gente fez o máximo que pode pra manter isso aqui vivo.

Você pensou já em fazer show em drive-in?
A gente tem algumas propostas de drive-in, mas como é um negócio muito eu não tô 100% seguro. Não tenho uma resposta pra falar, mas a gente teve algumas propostas, a gente tá estudando realmente fazer, de repente fazer com banda e tal, ainda não fiz nenhuma live com a minha banda toda, equipe, luz e tal. Então, se estiver dentro de todos os quesitos em relação à saúde e tudo mais, acho que não teria problema da gente fazer alguns drive-ins. No começo eu acho que era um pouco mais delicado. Agora já tá mais tranquilo.

Voltando a falar sobre o DVD, que sai nesta sexta, com 22 músicas. Queria que você falasse um pouco mais sobre a gravação, lá em Recife, você estava ainda divulgando o “Terra do Nunca”. Como foi aquela estrutura, preparação, escolha de repertório, como foi pensado aquele momento?
É uma responsabilidade muito grande. O “Terra do Nunca” foi em 2019 o quinto álbum mais ouvido do Brasil. Eu ganhei melhor Cantor no Prêmio Multishow, participei dos Melhores do Ano, fui convidado como cantor, participei com “Péssimo Negócio” das músicas mais tocadas do Caldeirão de Ouro, então muita aconteceu pra mim. E os fçãs esperam alguma cosia de você, “o que que vai rolar agora”, querem saber pra qual caminho você vai levar o seu trabalho, e eu acho que tava na hora, maduro o suficiente pra tentar coisas diferentes. Eu nunca fui muito preso a rótulos, então sempre tive um coração muito em paz de fazer coisas novas, Acho que pra gente fazer coisas novas, ideias novas, diferentes, a gente tem que tá em paz. Eu podia ter escolhido fazer uma sequência, musicalmente falando, mas eu acredito em ideias, eu sou muito da ideia, e quando eu decidi fazer esse projeto, a gente fez um aquecimento chamado “Quarto e Sala” e desse aquecimento veio a ideia de todo o projeto, que seria um projeto onde eu teria dois palcos – o “Quarto e Sala” seria mais intimista, mais romântico – e o palco grandioso, onde a gente colocaria fogos, uma atitude diferente que as pessoas não estavam tão acostumadas a ver o Dilsinho um pouco mais descontraído, mais leve, sorriso no rosto, sem aquelas músicas tão sofridas, que é o “Open House”, uma grande festa aberta que eu tô recebendo vocês do Brasil pra conhecer um pouco da minha casa, da minha música. Então, o projeto foi desenhado e pensado dessa forma. Pela primeira vez eu acho que eu tive um respaldo da galera, de ter ouvido tanto as pessoas durante esse tempo, acho que chegou o momento também que eu tava maduro o suficiente pra colocar algumas ideias em prática, de falar algumas coisas, e aí eu participei da produção musical, artística no geral, direção de show, roteiro e tudo mais. Estive muito presente nas ideias. Trouxe pela primeira vez metais pras músicas do “Open House”, que eu queria a galera dançando ali meio Bruno Mars, mostrar uma vibe, quero que as pessoas ouçam um pouco desse meu lado mais leve. No palco “Quarto e Sala” coloquei cordas, é um momento mais intimistas, músicas românticas, então eu desenhei um projeto novo pra mim e acho que me deu gás pra poder lançar e fazer um show com a egnergia que foi aquele. Pode ter sido isso, essa minha entrega de ficar 100% em tudo, meu coração tá todo ali. Os fãs sentiram essa verdade, viram que eu estava à vontade nesse projeto, as músicas foram escolhidas a dedo. Eu tava ouvindo essas músicas há um ano e pensando, então acho que é por isso que tá dando tão certo.

Imagino a vontade de levar isso pro Brasil, né?
Essa é a minha maior ansiedade. Pela primeira vez eu tô lançando músicas e não tô cantando elas, né, não tô ouvindo as pessoas cantando elas nos shows, então, na verdade, eu fico super ansioso pra poder montar esse palco e cantar de novo. Hoje é a minha maior vontade, voltar.

Acompanhe a exibição do DVD:

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