Cris Romagna lança EP e inova em interação com os fãs; confira entrevista

Disposto a não só cantar, mas encantar e tocar profundamente seu público, o cantor e compositor Cris Romagna desenvolveu uma nova forma de lançar seu trabalho. “Cadê Você”, mais novo single do artista, homônimo ao EP, chega às plataformas de músicas nesta sexta, dia 20, mas a novidade não para por aí. A divulgação foi minuciosamente pensada para conectar todas as pontas que envolvem um lançamento, desde o cuidado com a recepção da música ao uso de uma tecnologia inovadora.

Por meio de uma estratégia phygital, um kit composto por uma carta personalizada, um copo de cerâmica artesanal, um café especial e um cartão postal que é a chave para uma grande surpresa, Cris Romagna aparecerá na casa de seus fãs de forma inédita, utilizando uma nova tecnologia de realidade aumentada. É a primeira vez que esse recurso é utilizado por um artista nacional, que funciona da seguinte maneira: o cartão postal incluso no kit leva uma estampa, que pode ser lida pela câmera do celular e, a partir do reconhecimento digital, o cantor e compositor aparece em uma espécie de miniatura em holografia, cantando um trecho da música nova e convidando as pessoas a acessarem o lançamento.

“A tônica do projeto é presentear pessoas com a experiência. Para agregar e humanizar, convidei pequenos produtores para participarem e circular a economia criativa. Ele é feito por pessoas próximas e conhecidas: ceramistas locais, produtores de café, micro torrefação, que assim como eu fazem sua arte com amor”, afirma Cris.

“Cadê Você?” é a canção que encerra a jornada de lançamentos e traz um dueto doce com a cantora mineira Anna Pêgo. Ela conta a história do encontro entre o artista e sua musa inspiradora. Com muita sensibilidade e empatia, desde o início da concepção do EP, Cris Romagna investiu na escuta como experiência afetiva, como uma forma das pessoas se sentirem acolhidas em um momento de tantas incertezas.

O Caderno Pop bateu um papo com o artista, que falou sobre um projeto de composição, a novidade na interação com os fãs, paixão por café e muito mais!

Você participou de um projeto e já compôs dezenas de canções por meio dele. Todas ou parte das músicas desse EP vêm desse projeto? É como se fosse, nos dias atuais, um acampamento?
Sim, todas as 5 músicas do EP foram criadas pro projeto. Ainda estou nele, porque me desafia a criar e apresentar ao vivo à toque de caixa, músicas com temas que eu talvez não pensasse em escrever. Nesse aspecto, cola com a ideia de acampamentos de composição. Agora, o grande lance desse projeto é que faço a criação e já apresento pras pessoas. Comecei em julho de 2016 e fui observando em tempo real meu público, como reagia. Disso fui fazendo um laboratório e testando ritmos, letras, métricas, enfim, são infinitos os recursos. Me trouxe uma malandragem gostosa de como conectar com as pessoas. A escola da prática, nada melhor, não?!

O EP vem com um dueto com a Anna Pêgo. Você é do RS e ela de MG. Hoje a Internet não tem fronteiras, mas como vocês se conheceram?
Sabe aquela coisa que tava alí, só esperando o momento pra rolar? A história é que estávamos com a faixa gravada e precisávamos lançar, mas não tínhamos a voz feminina que representaria a minha musa inspiradora. Liguei pro Túlio Airold que produz minhas músicas e disse: e aí, quem vai ser a voz em Cadê Você. Tínhamos cogitado alguns nomes, mas o mercado de participações passou por um momento de saturação. Ele me disse: “mano, surgiu uma cantora aqui, mas ela não tem nada expressivo lançado mas eu acho a voz dela incrível”. Vou te mandar e você escuta e me fala”. Recebi um vídeo de YouTube dela e não escutei de imediato. Lembro como se fosse hoje: dia seguinte, no café da manhã, dei um play no vídeo e nem precisei mais que 10 segundos, sabia que seria ela, inclusive porque a música estava no tom da Anna. Ia rolar, eu ouvi a voz dela na canção, sabe?! Aí pedi pro Túlio perguntar se ela topava. À tarde ela já me mandou uma guia cantada lindamente, sem brincadeira, foi mágico. O resto vocês podem escutar na Cadê Você!

Agora você, de uma certa forma, vai estar na casa dos fãs em realidade aumentada. Onde você descobriu esse recurso?
A Carol Garcia, que virou parceira do projeto de lançamentos KitLeva, me apresentou uma pessoa do Studio Acci, que amou o projeto e sugeriu que poderia criar uma realidade aumentada (AR): um Cris mandando um recado na casa das pessoas numa experiência phygital. Quer saber? Eu não entendi direito do que se tratava, mas topei na hora. Eu sou desses, gosto de experimentar. Montamos o set, gravamos e nos divertimos muito no processo. Foi dessa forma que surgiu essa tecnologia inovadora no projeto de lançamentos.

Aliás, essa ideia veio junto com um incentivo a pequenos parceiros, que é um dos pilares da sua carreira, ajudar e compartilhar. Seria um estilo minimalista? Como você define isso?
Sou loooouco por café especial. Disso começamos a viajar em formas da música chegar na casa das pessoas e partimos das coisas que fazem parte do meu cotidiano. De uma conversa surge a ideia de enviar um kit com uma carta personalizada, assinada por mim, um café especial e uma cerâmica com o nome do lançamento da vez: a experiência #KitLeva. Esse negócio tomou proporção e as pessoas começaram a presentear outras, uma espécie de corrente do bem, alimentando a economia criativa através da inteligência coletiva. Eu defino que usamos a simplicidade do que já está em curso pra chegar nas pessoas. Todo mundo ganha, é perfeito!

O EP já é parte de um álbum a ser lançado brevemente? Afinal, não faltam músicas, né? Acha que parte delas caberia num disco?
Hahaha, músicas, temos várias. Tem que aproveitar a boa safra criativa, não acha? Mas falando de um álbum, quando construímos o EP, era pra ser o encerramento de um ciclo. Com essa boa safra criativa, resolvemos gravar novas e já estamos com mais 4 músicas prontíssimas. Quando nos demos conta, os assuntos e a sonoridade foram uma continuidade do EP com pinceladas em novos horizontes sonoros e resolvemos que vamos juntar tudo numa só experiência. As pessoas que já me acompanham gostam dessa coisa de mergulhar na obra. Pra mim isso é a coisa mais legal que pode existir porque também me da liberdade criativa pra falar o que eu penso.

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