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Crítica: Halsey, “The Great Impersonator”

Texto: Ygor Monroe
27 de outubro de 2024
em Música, Resenhas/Críticas

Com “The Great Impersonator“, Halsey entra em uma nova era onde sua música se transforma em um espelho caleidoscópico, refletindo décadas de influências e até desconstruindo as próprias composições e escolhas artísticas. Em 25 de outubro de 2024, ela estreou na Columbia Records com um álbum que é ao mesmo tempo uma homenagem à arte que a formou e uma ousada autoanálise. É como se Halsey tivesse se tornado tanto a autora quanto o tema de uma narrativa musical envolta de tristeza, quase um ensaio existencial onde as referências de PJ Harvey, Stevie Nicks e até Björk são evidentes, mas como ponto de partida, não como limite.

Crítica: Halsey, "The Great Impersonator" | Foto: Reprodução
Crítica: Halsey, “The Great Impersonator” | Foto: Reprodução

A abertura, “Only Living Girl in LA”, traz uma das abordagens mais densas da carreira de Halsey, entregando um monólogo existencial onde a imagem de seu próprio funeral se torna uma metáfora poderosa. A faixa, com seis minutos é uma confissão íntima sobre a solidão e as armadilhas do glamour, combinando camadas de sons psicodélicos que quase parecem desconstruir a melodia para refletir sua mente caótica e profunda. Com sintetizadores que evocam o som ambiente dos anos 90 e vocais que flutuam entre o etéreo e o desesperado, ela abre o álbum com a promessa de que esta não será uma viagem fácil para o ouvinte e, honestamente, nem para ela.

Cada faixa em “The Great Impersonator” parece carregar uma assinatura distinta, quase como capítulos de um livro em que cada página revela uma versão, uma “persona” de Halsey. Em “Ego”, a artista se revela entre o peso das guitarras do pós-grunge, enquanto os vocais oscilam entre tristeza e raiva contida. É aqui que sentimos a influência do rock alternativo em sua forma mais bruta. O arranjo lembra as nuances de “Celebrity Skin” da Hole, onde o desespero transparece não só nos vocais, mas nas pausas, nas distorções e até no silêncio que ecoa entre os versos. Já “Lonely Is the Muse” traz à tona uma Halsey crua e vulnerável, que expõe o desespero de uma musa que anseia por ser notada, mas teme o peso das expectativas. O uso minimalista de guitarras cria uma tensão constante, um efeito de suspensão que traduz bem essa busca ansiosa por um propósito.

“Dog Years” é, sem dúvida, um ponto alto do álbum e mostra Halsey abraçando o grunge com intensidade. É como se ela buscasse canalizar a energia caótica de Nirvana em uma interpretação pessoal, refletindo a luta contra o tempo e as pressões da indústria. Em “Life of the Spider (Draft)”, Halsey leva o minimalismo ao extremo com uma composição que só se revela em fragmentos, deixando o ouvinte com uma sensação de incompletude proposital. A letra aborda os paralelos entre sua própria carreira e a vida da aranha: um ciclo de construção e destruição. Esse minimalismo atinge em cheio, já que cada nota parece carregada de tensão, convidando o ouvinte a interpretar as ausências tanto quanto os sons.

Algumas faixas, porém, revelam os tropeços do álbum. “Only Living Girl in LA”, apesar de interessante, se alonga além do necessário, perdendo um pouco do impacto inicial. Já “I Never Loved You” falha em entregar a intensidade prometida pelo título, a produção soa quase preguiçosa, como se faltasse o ímpeto necessário para tornar a música memorável. Esse é um exemplo onde a tentativa de transmitir angústia acaba soando forçada, sem o peso emocional de outras faixas do álbum.

Em contraste, “The Great Impersonator” exibe momentos brilhantes de autenticidade. “Letter to God (1983)” transporta o ouvinte para uma espécie de encontro espiritual. Nos interlúdios, Halsey conversa diretamente com o divino, num diálogo que não só desmistifica a fé, mas a personaliza. Há uma honestidade em sua busca que é quase desconcertante, especialmente quando acompanhada de guitarras distantes e uma bateria sutil que ecoa como uma prece. Em “Darwinism”, a simplicidade ao piano reflete uma Halsey mais contida e reflexiva, questionando o que é estar “apto” em uma sociedade onde a pressão pelo sucesso é sufocante. Esse piano limpo e quase desarmado é uma escolha astuta, que leva o ouvinte a uma calmaria incômoda, onde cada pausa ganha peso.

Mais adiante, “The End” e “Hometown” flertam com o folk em uma sensibilidade que lembra as obras mais depressivas de Stevie Nicks. “The End” soa quase como uma despedida, onde o violão e os vocais ecoam como uma última confissão. Em “Hometown”, ela provoca o saudosismo de uma maneira diferente: não é o lugar, mas o sentimento de retorno que importa. A melodia é menos pop, mais crua, convidando o ouvinte a sentir o peso da memória e das raízes.

A faixa-título, “The Great Impersonator”, encerra o álbum com um toque de experimentalismo de Björk. Aqui, Halsey joga com camadas de som e distorções vocais, criando um encerramento que parece quase uma despedida de um ciclo emocional. A ambiguidade é intencional: não há um encerramento claro, mas um reflexo das contradições e complexidades que ela explora ao longo do álbum.

Com “The Great Impersonator“, Halsey redefine sua identidade artística. Ela não busca respostas fáceis; prefere explorar a dúvida, a dualidade, e até mesmo a fragilidade que existe em tentar ser alguém em um mundo saturado de expectativas. O álbum pode não agradar todos, mas é uma obra onde as falhas são tão importantes quanto os acertos. Aqui, Halsey é uma criadora que se reinventa e provoca, deixando o ouvinte com mais perguntas do que respostas.

Nota final: 80/100.

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Temas: CríticaHalseyLançamentoMúsicaResenhaReviewThe Great Impersonator

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