“Um Lugar ao Sol”: papel mais desafiador da carreira de Cauã Reymond traz conexão com história do ator, a adoção da mãe

Foto: Globo/João Cotta

A nova novela da Globo, “Um Lugar ao Sol”, estreia no próximo dia 8 de novembro trazendo Cauã Reymond no papel de Christian e Christofer, dois irmãos gêmeos que encarnam realidades polares: a dos sonhos realizados e a dos que foram cruelmente frustrados. Ao perderem a mãe no parto, em Goiânia, os irmãos são separados prestes a completarem um ano de idade. Um deles é adotado por um casal do Rio de Janeiro; o outro é encaminhado pelo pai, sem recursos, a um abrigo. Assim, Christofer – rebatizado Renato pelos pais adotivos – e Christian crescem em realidades opostas, sem saber da existência um do outro.

A trama, escrita por Licia Manzo e dirigida por Mauricio Farias estreia com todos os capítulos gravados, pequena parte deles antes da pandemia. O papel trouxe uma conexão com a história do Cauã Reymond. Em entrevista coletiva e durante resposta ao Caderno Pop, o ator contou que o papel de um dos irmãos, Christofer, lembrou a história de sua mãe, Denise, que também foi adotada – que ele só descobriu por causa da novela. “A minha mãe foi adotada pela minha avó, mãe solteira. Perdi ela há dois anos e meio. Foi muito contundente dessa forma estar dentro de uma realidade. Minha mãe foi entregue de mão em mão até chegar na minha avó. Foi muito impactante viver esse personagem, lembrou muito uma história da minha família”, lembrou.

Para a preparação, Cauã conversou com outros atores gêmeos, embora já tivesse interpretado irmãos em um papel parecido. Ele e Matheus Abreu viveram os gêmeos Omar e Yaqub na segunda e terceira fases da da minissérie “Dois Irmãos”. “É raro um ator receber esse desafio e duas vezes mais raro ainda”, lembrou. Sobre o papel, o ator contou que teve uma coisa ao seu favor, que é o texto da Licia, “preciso e tem um caminho sólido para os dois irmãos na novela”. “A gente teve um cuidado com a novela, gravada como se fosse uma série. Tivemos bastante tempo para trabalhar os personagens”, completou.

Cauã teve ajudas importantes: um coach, já que começou a preparação muito tempo antes das gravações, e de seu irmão Pável, que foi seu dublê, o que trouxe ainda mais conexão com ator, família e personagens. “Faz parte da minha segurança e meu desejo de entregar um trabalho de qualidade. E também marcando minha volta às novelas, depois de quase seis anos. Sabia que tinha um desafio enorme pela frente. Foi o trabalho mais difícil que tive”, disse.

De acordo com o diretor Mauricio Farias, Cauã enfrentou um grande desafio. “Foi um grande número de cenas, sendo gravado tudo misturado, não é uma coisa comum na TV brasileira. O normal é gravar 20 capítulos e depois as gravações seguem. No caso gravamos um arco de 50 capítulos e Cauã tirou isso de uma maneira brilhante, incrível”, comemora.

As gravações durante a pandemia renderam um protocolo rígido, com testagens diárias e distanciamento seguro entre atores e equipe. Com as captações 100% concluídas, será a primeira novela das 21h a estrear totalmente gravada e sem possibilidade de alterações de percurso, como mudanças no final da trama. A situação também exigiu uma grande atenção dos continuístas, responsáveis por deixar visual dos atores, cenários e locações, idênticos aos que foram usados nas gravações anteriores.

HISTÓRIA

Na trama, os caminhos dos irmãos Christian e Renato finalmente convergem quando os dois completam 18 anos. Ao se despedir no leito de morte do homem que sempre acreditou ser seu pai, Renato descobre sua verdadeira origem, assim como a existência do irmão gêmeo de quem fora separado. Revoltado, confronta a mãe adotiva, Elenice (Ana Beatriz Nogueira), que mente ao filho, dizendo que seu irmão e o pai biológico estão mortos. Ao mesmo tempo, Christian, que com 18 anos é obrigado a deixar o abrigo para menores onde cresceu, em Goiânia, também descobre ter sido separado do irmão. Inteligente e dedicado aos estudos, Christian deixa o abrigo e, sozinho no mundo e sem perspectivas, é rapidamente confrontado com a realidade do país. Subempregado, vê-se obrigado a arquivar seus sonhos, e apenas a existência do irmão afortunado – seu extremo oposto – parece iluminar sua vida. Na esperança de encontrar Christofer, decide partir então para o Rio de Janeiro. Antes, despede-se de Ravi (Lauan do Amaral), seu irmão de coração, 10 anos mais novo, criado no abrigo com ele.

Christian desembarca no Rio movido pela esperança de encontrar o irmão, enquanto o destino lhe prega uma peça: Renato segue para a Europa com uma passagem só de ida, disposto a ficar longe da vida que descobriu ser uma farsa.

Dez anos se passam. Dez anos em que Christian peregrina como ambulante na porta do Engenhão, em jogos do Botafogo, na esperança de encontrar o irmão. Sua única pista: um recorte de revista onde um jovem idêntico a ele, com a camisa alvinegra, assiste a uma partida na Tribuna de Honra do estádio. Aos 28 anos, Christian segue para a rodoviária para receber Ravi (Juan Paiva), que acaba de completar a maioridade. Por intermédio de Ravi, que passa a morar com ele, Christian conhece Lara (Andréia Horta). A conexão entre os dois é instantânea. Batalhadora, Lara foi criada em Minas Gerais pela avó, Noca (Marieta Severo), e veio para o Rio de Janeiro cursar Gastronomia. Apaixonado, o jovem reconcilia-se então com a própria vida, desistindo da busca inglória pelo irmão perdido. Voltando a acalentar o sonho de um futuro melhor e possível, dentro da própria realidade, planeja casar-se com Lara para, juntos, abrirem um pequeno negócio. Novamente, no entanto, o destino se interpõe: Ravi é preso injustamente, acusado por um roubo que não cometeu, e Christian precisa levantar o dinheiro da fiança. Sem alternativa, acaba aceitando fazer um carreto para o tráfico e, inadvertidamente, contraindo uma dívida ainda maior. Ameaçado de morte e num beco sem saída, aceita a proposta de Lara: venderem o que têm para livrar Ravi, fugindo em seguida para a casa da avó em Minas Gerais.

Contrariando o impossível, no entanto, na noite marcada para a fuga, Christian encontra, ao acaso, Renato (que acaba de voltar ao Brasil). Após uma intensa madrugada juntos, os irmãos serão novamente separados, mas, desta vez, em caráter definitivo. Instável e problemático, ao tomar conhecimento da dívida do irmão, Renato sobe o morro em seu lugar. Tomado pelo irmão, é morto pelos traficantes.

Idêntico ao irmão recém-falecido, e, num primeiro momento, tomado por ele pelo porteiro do prédio, por sua namorada (a exuberante Bárbara, Alinne Moraes), e pela mãe adotiva, Christian aplica-se então a emular personalidade e comportamento do irmão, tornando-se seu duplo. Decidido a deixar o passado para trás, assume a identidade de Renato, tendo Ravi como único confidente. Incógnito, assiste a Lara enterrar o suposto corpo de Christian e segue rumo a uma nova vida, onde terá que lidar com as consequências de sua escolha.

Para Andréia Horta, o papel de Lara permitiu gargalhar e agir como ela própria. “Todos os detalhes dela me encantavam muito, então fui trabalhando tentando encontrar muita delicadeza, até nos sentimentos. A Lara vem com um sofrimento de amor, uma leveza, que talvez seja inédito pra mim. Lara tem essa coisa do amor, que é um guia. Órfã, desde os 7 anos criada pela avó. As duas são uma dupla que se equilibra. Ela tem valores inegociáveis e eu acho importante que esses personagens se apresentem. Eles viram um modelo de que é possível ser honesto consigo mesmo, fazer tudo direito”, comenta.

A intérprete de Bárbara, Alinne Moraes, contou que a personagem tem uma realidade muito distorcida entre as coisas e até com ela mesma. Com isso, ela acaba por não ver que Christian e Christofer têm alguma diferença.

A autora Licia Manzo contou, ainda na entrevista aos jornalistas, que gosta de abordar relação entre irmãos em suas tramas, como em “Sete Vidas”, “A Vida da Gente” e agora em “Um Lugar ao Sol” e um dos motivos é ela ser filha única. Além disso, segundo ela, “a relação do irmão permite, de modo geral, acabar com impedimentos e limites. O irmão dá a certeza do afeto, tem essa cola, de ter dividido uma mesma origem. É algo muito poderoso e dramático, que rende boas cenas de teledramaturgia. O laço de família te une, mas te aperta”, finaliza.

%d blogueiros gostam disto: